
Eu tomo florais de Bach
Que brotam flores em mim
E pedras em meus rins.
Munch
Marino Pinto e Paulo Soledade
Um pequenino grão de areia
Que era um pobre sonhador
Olhando o céu viu uma estrela
Imaginou coisas de amor
Passaram anos muitos anos
Ela no céu ele no mar
Dizem que nunca o pobrezinho
Pôde com ela encontrar
Se houve ou se não houve
Alguma coisa entre eles dois
Ninguém pode até hoje afirmar
O que é de verdade é que depois
Muito depois
Apareceu a estrela do mar.
Duas pessoas queridíssimas apresentarem-me esta música na última segunda feira, dia 8/01/2007, lá na Praia Grande no show da Tiquira Blues. Foi emocionante. Beto chorou, Cris arrepiou-se, me emocionei mais por eles do que pela música lindíssima.
Para vocês queridos Beto e Cris.
Grande beijo, vocês estão guardados.



Manchada de tinto seco, Gertrudes sublimava as conversas fúteis e inúteis, não tinha paciência com figuras sedentas de verdes valores.
Mesmo manchada de tinto seco naquele ambiente burguês, loiro, liso e escorrido, Gertrudes tentava se divertir ouvindo as conversas sobre o mais lindo modelo de celular com 2 gigas de memória. Passava gelo em sua roupa para evitar manchas que a macularia(m).
O jantar acabou e Gertrudes um pouco mais seca, respingada de carmim é esquecida na porta, afinal o verde para Gertrudes é, principalmente, a cor que sai do seu sorriso noturno.
Suaves lágrima emudecemram seu olhar. Percebeu que ali seus sorrisos, suas convicções eram banais; loucura, silêncio, Antonioni, Freud, Foucault, filosófos, Poinê, Eumônia, Caos, valores coloridos, Lacan, Praia Grande, tambor, Arthur Bispo do Rosário, estética, poética, Philotes, a Fada, um artista, a Menina das Metáforas Amarelas, cada menino, cada menina, que tudo, tudo isso não servia naquele lugar.
Em algum lugar da Ilha, um ser, passa o dia colorindo seu universo com desalinhadas linhas simétricas, refletindo sobre sua viagem próxima e tantos outros devaneios:
Tereza entrou em sua pequena casa. Os buracos na parede nada lhe diziam, a casa nada lhe dizia. A ausência dos fonemas dizia a Tereza mais do que ela precisava ouvir, a ausência dos fonemas soava como um estrondo em seu coração.