martes, marzo 27, 2007


Quando ele some
Eu tomo florais de Bach
Primavera
Que brotam flores em mim
E pedras em meus rins.
(Dylson Júnior)

lunes, marzo 19, 2007

Munch


A rua dos cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Mário Quintana

domingo, marzo 11, 2007

Os poetas já cantaram o amor de todas as formas
Só esqueceram de dizer que:
O amor não é a dois,
É a mundo!

domingo, febrero 04, 2007

Balthus


Contrariando sua apatia, naquele domingo, Teraza acordara com seu corpo tomado pelo desejo. Não queria ficar trancada dentro de casa alimentando-se de suas misérias, gostaria de encontrar-se, ressurgir de dentro dos buracos de sua pequena casa.
Encaminhou-se sozinha e deslubrante, com sua brancas omoplatas a mostra, um bar, iludindo-se que seria feliz.
A euforia era revelada em cada cena, em cada instante que seus olhos cor de âmbar fotografavam. Queria dançar, sentir, consumir-se naquela alegria. Sentia que outra mulher tomava conta do seu corpo.
O som do tambor de crioula hipnotizou-a, a dança circular das coreiras teve o supreendente poder de fazer com que parasse de racionalizar.
Neste momento não se reconhecia, outra havia tomado seu corpo.
Os flashes ficavam mais rápidos ao ritmo do tambor.
Sua tez alva e suas profundas olheiras necessitavam de toques que eriçariam seus longos cabelos castanhos-claro e luminaria toda a extensão do seu corpo.
Mais e mais e mais rápidos...
A umidade de suas entranhas diluia a imagem sisuda de Tereza.
Silencia o corpo de Tereza.
Após uma noite com um (quase) desconhecido Tereza com suas mãos magras e dedos alongados, seu retilíneo nariz que lhe dava um ar superior voltara preferir sua solidão, voltara preferir ser uma toupeira acima do chão.
Deitada em sua cama percebeu o que havia entre sua sedenta vontade de fonemas e o inviolável silêncio que pairava em seu retrato preto e branco: lembranças.
Superioridade dolorida.

viernes, enero 26, 2007

Eu gosto muito de surrupiar as charges dos Malvados

martes, enero 23, 2007

Balthus e Noite Severina

Balthus
Noite SeverinaNey Matogrosso e Pedro Luis e a Parede
Composição: (Lula Queiroga / Pedro Luís)

"Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu desejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar "

viernes, enero 19, 2007

Minha Doce Manu

Tal um koan meu amor por ela.
O infinito elevado ao infinito.
Estas sempre rodando comigo no movimento da lemincasta.

lunes, enero 15, 2007


MILO MANARA

Árias Pequenas. Para Bandolim
Hilda Hilst
Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.

sábado, enero 13, 2007


ESTRELA DO MAR

Marino Pinto e Paulo Soledade


Um pequenino grão de areia

Que era um pobre sonhador

Olhando o céu viu uma estrela

Imaginou coisas de amor

Passaram anos muitos anos

Ela no céu ele no mar

Dizem que nunca o pobrezinho

Pôde com ela encontrar

Se houve ou se não houve

Alguma coisa entre eles dois

Ninguém pode até hoje afirmar

O que é de verdade é que depois

Muito depois

Apareceu a estrela do mar.


Duas pessoas queridíssimas apresentarem-me esta música na última segunda feira, dia 8/01/2007, lá na Praia Grande no show da Tiquira Blues. Foi emocionante. Beto chorou, Cris arrepiou-se, me emocionei mais por eles do que pela música lindíssima.

Para vocês queridos Beto e Cris.

Grande beijo, vocês estão guardados.

lunes, enero 08, 2007

Lascívia




Era muito vago em sua mente a primeira vez que Fada o viu, recordou-se deste dia por palavras vindas dele mesmo. Ela não tinha certeza se havia sido daquela forma. Philotes estava presente. Confirmara. Mas, para Fada fora um dia esquecido em tantos outros.

Lembra-se da primeira vez que ouviu sua voz... um forte desejo soou em seu corpo. Teve vontade de devorá-lo. Fada o observou. Era lascívio.

O olhar de Erebos penetrava suas entranhas. Imaginava como seria ser possuída por ele: fúria lascívia de satisfação do desejo e Fada excitava-se com esses pensamentos libidinosos, enquanto o observava seu desejo aumentava, ela queria entregar-se àquele ser sombrio que causava tantas sensações luxuriosas.

Fada se retraía, algo nele a temia, ela não sabia distinguir o que era, e ao mesmo tempo que queria que ele a consumisse, ela o queria distante, que nunca a tocasse.

Não entendia, ora a face sombria de Erebos a repelia, com seu jeito de parar e ficar sozinho no meio da multidão, seu silêncio sepulcral e ora a atraía, pois curiosa ela devoraria sua mente, degustaria suas idéias, consumiriam-se em seus olhares. Ele a temia.

A antítese dos desejos os distanciava, não era tempo de aproximações, era muito escuro ao lado de Erebos e Fada precisava de luz, de certezas e ele, ainda, não permitia que elas resplandecessem em todo seu corpo, a não ser quando entregava-se a lânguidos desejos noturnos ou quando as notas musicais o invadiam.

Mas, em certas noites de lua cheia em que as incertezas desaparecem e o rosto de Erebos ilumina-se, sem pensar em seus temores, se entregam, se consomem, se devoram, se permitem, gozam e acabam por descobrir que ela odeia bolos e ele adora biscoitos. Ele é a própria utopia, ela a certeza (de que nada é como gostaríamos). Eram livres. Combinavam nisso... e no atrito da cama.

Eles se temiam.

viernes, diciembre 29, 2006


Tô feliz!
Queria escrever.
Mas, tô feliz!
A felicidade é a própria sublimação dos sentimentos.
Mesmo que por pouco tempo.
Poesia e paz a todos.

domingo, diciembre 24, 2006


FREMÉRITO FELIZ

Dylson Junior





Eu que um dia quis saber

Quem sou
Nada mais quero de mim


Eu que me pretendi repleto


Hoje amanheço incompleto de mim

Eu que vivi em refúgios
Hoje refugo remelas de dores e álcool


Eu que me declarei ao nada
Busco ser esquecido

Eu que procuro por mim minha vida inteira

Me faço metade
Inconstante
De coisas em caixa de brinquedo de criança.

domingo, diciembre 17, 2006



Manchada de tinto seco, Gertrudes sublimava as conversas fúteis e inúteis, não tinha paciência com figuras sedentas de verdes valores.

Mesmo manchada de tinto seco naquele ambiente burguês, loiro, liso e escorrido, Gertrudes tentava se divertir ouvindo as conversas sobre o mais lindo modelo de celular com 2 gigas de memória. Passava gelo em sua roupa para evitar manchas que a macularia(m).

O jantar acabou e Gertrudes um pouco mais seca, respingada de carmim é esquecida na porta, afinal o verde para Gertrudes é, principalmente, a cor que sai do seu sorriso noturno.

Suaves lágrima emudecemram seu olhar. Percebeu que ali seus sorrisos, suas convicções eram banais; loucura, silêncio, Antonioni, Freud, Foucault, filosófos, Poinê, Eumônia, Caos, valores coloridos, Lacan, Praia Grande, tambor, Arthur Bispo do Rosário, estética, poética, Philotes, a Fada, um artista, a Menina das Metáforas Amarelas, cada menino, cada menina, que tudo, tudo isso não servia naquele lugar.

sábado, diciembre 16, 2006

miércoles, diciembre 13, 2006

Ausência







Está tudo vazio.
a ausência do desejo do objeto. A.
ausência de fonemas, ausência de morfemas, ausência de pensamentos.
fanstasmas ocupam meus vazios.
nunca estamos só.
sinto ausência de mim mesma.

sábado, diciembre 09, 2006

SER OU NÃO SER DE NINGUÉM (Arnaldo Jabor)

Na hora de cantar, todo mundo enche o peito nas boates e gandaias, levanta os braços, sorri e dispara:
"... eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também..."
No entanto, passado o efeito da manguaça com energético, e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração tribalista se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.
A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas
animadíssimas é legal? Evidente que sim.
Mas por que reclamam depois?

Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que toda ação tem uma reação? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua,
namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja, é preciso comer o bolo todo e, nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber
se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Embora já saibam namorar, os tribalistas não namoram.
"Ficar" também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada.
Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que
namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim, como só deseja a cereja do bolo tribal, enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas, e a troca de cumplicidade, carinho e amor.
Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.
Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim, podemos aprender a amar nos relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram
passados. Somos livres para optarmos.
E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico
e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da tão sonhada felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as
surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém,
é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida SOLIDÃO... Seres humanos são anjos de uma asa só, para voar têm que se unir ao outro"

viernes, diciembre 08, 2006

Em algum lugar da Ilha, um ser, passa o dia colorindo seu universo com desalinhadas linhas simétricas, refletindo sobre sua viagem próxima e tantos outros devaneios:

“pois bem, imerso na minha pintura, na pintura como um labirinto de saídas, às vezes palpáveis, às vezes impalpáveis. Perdemos, nós, os chamados modernos, uma maneira de fruir melhor a vida. Penso da forma como nos relacionamos com as coisas e os seres. Hoje muitos poucos sabem de si (como antes), muitos poucos têm a paciência para perscrutar os seus pensamentos, para depurá-los. É verdade que eliminamos algumas coisas supérfluas, mas hoje estamos abaixo do essencial, perdemos para o rés-do-chão...”

O jogo não o contamina, seu circulo gira no sentido antí - vício, antí - ócio, ou pelo menos pensa que assim o fez; também tem seus fantasmas. No fundo detesta tudo aquilo, no fundo despreza o mundo, mas o habita com despudor. Sua mente é o retrato de um átomo, com partículas movimentando-se com tanta velocidade que não sabemos se por lá passaram, mas existe sempre a probabilidade do não: não ao envolvimento, não à hipocrisia, não à mentira, não a esse mundinho medíocre que vive.


OBS: a importância do artista está em sua obra.
Tereza entrou em sua pequena casa. Os buracos na parede nada lhe diziam, a casa nada lhe dizia. A ausência dos fonemas dizia a Tereza mais do que ela precisava ouvir, a ausência dos fonemas soava como um estrondo em seu coração.

Aguçava seus ouvidos para ouvir o silêncio dos buracos da casa... Acabou por encontrar seu retrato preto e branco fincado na casa com buracos na parede.

lunes, diciembre 04, 2006


Numa explosão orgástica os corpos enroscaram-se tal uma conjunção estelar, as bocas uniram-se em perfeitos beijos que, talvez, nem Klimt conseguiria reproduzir, o toque leve teve o poder de fazer o tempo e o espaço pararem, não queriam sair da espelunca e sim que fosse sempre um pôr-do-sol.
Pego-me várias vezes presa à literatura, minha maior fuga, meu universo paralelo, onde me sinto protegida, destemida, despressionada. A catarse é uma grande explosão de sentimentos que, fixa marcas profundas. Assim me sinto, com cicatrizes inalcançáveis em minha alma. Nunca me esqueço a alegria de ter vivido ao lado de Quasímodo, de ter e contado para ele como era os sons de seus sinos. A tristeza que tive ao ver Aliócha sofrendo com a morte de seu mestre e ter concebido idéias diversas à realidade junto com Baudelaire. Mas, com as vicissitudes da vida me questiono: Quasímodo existe? O mestre de Aliócha já viveu? Tenho eu uma alma para ter cicatrizes?