lunes, noviembre 05, 2007

The Bubble!


Li, recentemente, um email que me enviaram dizendo que sou uma pessoa que cobra demais carinho das outras pessoas, que sempre estou mal e como sou feliz no orkut.


Achei graça dessa descrição sobre a minha pessoa. O que deu pano pra manga pra eu muito refletir. Parece-me que é ai que mora o perigo dos melancólicos: pensamos demais, refletimos demais.


Enfim, nessas reflexões, até levei em consideração o fato "de estar sempre mal" e tentei ser "mais alegre", como se minha esponteineidade natural, já não abafasse minhas dores e mágoas. Quem são as pessoas que, realmente, me conhecem? As pessoas com quem converso e sabem da "real" face de mim mesma?


Enfim, sendo "mais alegre" para as pessoas que não gostam de tristezas, melancolias, angústias e sensações de vazio, fui ficando mais melancólica e angustiada. Algo só de mim, para mim.


Em relação à cobrança de carinho e ser feliz no orkut. Refleti sobre isso, mas não vou falar disso agora, apenas que cometerei o orkutcídio.


Nessa sensação melancólica de que devemos parecer bem para os outros, parece-me que depende de nossa alegria, a alegria de outrem, acordei no último domingo bem chateada, até por alguns fatos ocorridos no sábado.


Calada em casa, dormindo muito e dando conta de minhas obrigações, resolvi, à tarde, ir ao cinema. Sozinha! (O que pode causar surpresas em algumas pessoas).


A sessão começou às 16h30 minutos. The Bubble, um filme iraniano que eu já estava a fim de assistir há algumas semanas.


Quando a sessão acabou eu estava completamente arrasada, tão arrasada quanto a última cena. Te Bubble devastou-me!


Vazia. Desnorteada. Com o pranto engasgado na garganta. Minhas pernas tremiam.


Como a bomba, The Bubble fez-me repensar tudo. Na verdade, o filme fez-me perceber que nada vale a pena. Desacreditei em tudo, mais uma vez.


Caralho! Fazia tempo que nada do que eu lia ou assistia causava-me uma sensação de catarse tão grande! Não quero discutir aqui as relações de direção, roteiro, filmagens e etc... Mas, sim que merda de vida é essa que temos? Para que tantos sonhos? Para que tantas discussões? Para que fugir tanto dos outros? Para que, para que...? Nada faz sentido, nada faz sentido!


Estou fazendo algo neste blog que nunca havia feito: falar em primeira pessoa e contar algo meu como eu mesma. A Face de Hérika. Não adiantaria Fada, Tereza, Gertrudes ou Atlas irem ao cinema, EU fui ao cinema, eu fui colocada em xeque, o vazio existencial produzido, foi comigo.


Nada do que eu acredito foi salvo após o filme. Na saída do cinema acendi um cigarro e fui andando desolada, com uma vontade enorme de chorar, minhas pernas trêmulas, meu coração batendo acelerado, as palavras haviam perdido o sentido, e então encontrei alguém que mexe com meu imaginário de desejo. Quando o vi percebi que não valia a pena lutar por ele, quando o vi não tinha palavra alguma para ele, a não ser um "oi" e um "caralho..., vou pra casa", mas esta frase, para mim, está carregada de outros significados (ou seriam significantes?) O que merece minha atenção? Se nada mais vale a pena.


Independente dos conflitos pessoais e/ou nacionais, para que um sacrifício? Independe de ser hetero ou homo, ser branco ou preto, ser judeu ou palestino, ser traficante ou morador da favela... somos iguais em qualquer lugar, lutamos pelas mesmas causas, pela paz, pelo amor, pela compreensão... Para quê?


Melhor seria, realmente, explodir-me.


Afinal, será que, ainda, tenho alguma chance neste mundo?


Assistam The Bubble! Ele sim merece a nossa atenção!

11 comentarios:

Rodrigo dijo...

Ei, ei, ei.... muita hora nessa calma!!!
Falávamos de silêncio numa Observação minha... que tal tentar?
Existem coisas que só calando para sarar, para serem analizadas com a força que devem, com a nossa força interna. M. Nery fala muito do encontro com Deus, afinal os “assuntos” de Deus são os homens; os homens em sua interioridade. Para tal alcance, somente com o silêncio. Preserve sua audição. Nada de barulho!
Psssss...
Bjos.

jj dijo...

droga havia escrito uma coisa para vc, enfim, apagou milhares de vezes, só queria dizer que às vezes a explosão é necessária para que nós, melancólicos, escutemos nossa verdadeira voz, abafar a precariedade de algumas outra é a necessidade maior...pela primeira vez te escuto (a tua voz) nos textos, e essa experi~encia, ainda que cheia de raiva ou sem sentido, merece ser visitada.

ps: o q outros vêem como tristeza é uma hipocrisia da vida deles mesmos.

Andréa dijo...

The Bubble? Naquele primeiro momento você não viu, viu depois pelo que vejo, rsrs. Sim, acho que sensações parecidas, a não ser que não desejo explodir, mas implodir.

^^

=*

Janelas Entreabertas dijo...

é um encontro do outro contigo, mesmo q não concordes, mesmo q te mobilize e negue a desgraça do outro marca, persegue, atravessa, deixa pra trás

tardezinha dijo...

chega um momento que não dá pra fugir. e não é dos espelhos. é mesmo da falta de caminhos, ou melhor, de trilhas abertas.
ainda não sei muito o que falar do the bubble. mas o que me parece é que o invólucro sob as bolhas existenciais são inevitáveis e elas, minha amora, hão de explodir um dia. aliás, elas explodem em diversas intensidades e nem sempre damos importância devida.

te amo muito.

Fernanda Passos dijo...

Um texto existencialista.
;)
rsrsrs.
Nem a gente se se sabe por completo gata, que dirá os outros.
beijos.

Giovanna dijo...

"bubble" é um tapa na cara. 2, na verdade. um de cada lado. e eu estou atrás dessa trilha sonora! se achar, me avisa. tipo de filme que a gente assiste lembrando de meio mundo que também deveria estar ali.

e ir só ao cinema é uma delícia! experimente mais vezes. ninguém atrasa com você, não a fazem perder o começinho. nem falam durante o filme e se pode ver os créditos tranqüilamente sem ninguém pra pertubar querendo sair da sala.

"no fim do jogo rei e peão voltam para a mesma caixa." vamos fazer diferença antes de entrar nela. li isso em algum lugar e lembrei do seu post.

beijos, moça

Carol de verdade dijo...

assisti tbm... hj!!!
realmente coloca em questão a nossa própria identidade, em que acreditamos... sensações pertinentes a sua... é sinal de que o filme fez algum sentido pra ti... e provocou um conhecimento sobre a sua pessoa, até então desconhecido!!!
a diferença entre mim e ti... é que no final do filme eu não consegui segurar... chorei mesmo!!!!
mil bjinhossss!!!

Anónimo dijo...

eu ja comecei a tentar deixar um comentario duas vezes, mas.

de nós na garganta, e esconder-se em si mesma, pq, enfim, os outros decidiram que preferem esquivar-se, talvez eu entenda.

acaba-se engolindo uma verdadeira vitamina de desgosto todas as noites.

Fernando CHICÃO (fgvcribeiro@hotmail.com) dijo...

Conquistado pela enorme coragem das palavras ("enorme coragem", será isso redundância ou pleonasmo).
A sinceridade é algo tão pouco cultivada hoje em dia que essa bofetada de exposição que você deu aqui faz, mais que a bolha, pensar o quão distante ficamos de quem merece nossa atenção, entendendo que há sempre alguém que merece e muito nossa atenção.
Caloroso, abraço, "desconhecida", e até a próxima catarse.

Marcelo Novaes dijo...

Bom..., o Orkut é um mundo dos slogans otimistas, como se clichês ditos à exaustão se transformassem em verdades. Não me admira que você parecesse, a alguns, tão "feliz" no Orkut. O Orkut é o território da felicidade compulsória, inventada e, frequentemente, há "crises" entre os "mais felizes", do tipo "meu mundo caiu", "fechada pra balanço", ou "estou em reconstrução". Um "orkuticídio", longe de ser uma implosão, pode ser o romper da casca de um ovo de significantes com prazo de validade vencido. Se é que um dia já disseram alguma coisa...
Os fracassos do encontro podem ser vistos em micro ou macroescala. E o filme te deu uma sacudida, pelo que vejo, ao exibir a situação em escala macro.


Beijão,


Marcelo.