jueves, diciembre 27, 2007

...

simplesmente não consigo. as palavras estão soltas e ocas.
quem sabe 2008 as coisas resignifiquem.
Feliz Ano Novo a Todos!
Beijos

sábado, diciembre 08, 2007


Pego-me várias vezes presa à literatura, minha maior fuga, meu universo paralelo, onde me sinto protegida, destemida, despressionada. A catarse é uma grande explosão de sentimentos que, fixa marcas profundas. Assim me sinto, com cicatrizes inalcançáveis em minha alma. Nunca me esqueço a alegria de ter vivido ao lado de Quasímodo, de ter e contado para ele como era os sons de seus sinos. A tristeza que tive ao ver Aliócha sofrendo com a morte de seu mestre e ter concebido idéias diversas à realidade junto com Baudelaire. Mas, com as vicissitudes da vida me questiono: Quasímodo existe? O mestre de Aliócha já viveu? Tenho eu uma alma para ter cicatrizes?

jueves, noviembre 29, 2007


Sua sensibilidade não lhe permitiria sorrisos vãos a vãs pessoas, a mediocridade da existência humana o exasperava.



Conversas em corredores povoados de inveja, calúnias, egoísmos, pseudo-acadêmicos, egocentrismos. Nada daquilo lhe dizia respeito; neste enojamento desesperado ele desaparecia aos olhos daqueles que nãopercebem que a dor e o vazio recompõem-se em ávidos fantasmas habitando, com zelos angustiados, nossas noites vazias.



Ele fazia de sua ausência, a presença constante e de seu silêncio, ávida comunicação. Lutava com suas dicôtomias e raramente, num gesto violento, o animal homem resolvia comunicar-se, para logo em seguida sua presença surgir em um meigo sorriso e com um certo brilho naquele olhar, sempre tão distante.



Quando conversavam sentia que uma tsunami sairia de sua boca, palavras que descreveriam tudo o que permanecia de mais sentido nele, mas não. Contraia-se sempre, afogava-se em palavras, e epilético de sentimentos convulsionava-se interiormente. O silêncio imperava. Dolorido. Era a própria imagem do cansaço; mas se olhasémosmais agu(ça)damente veríamos uma alma transparecendo de seu olhar: um abismo de angústias e desespero.



Assim, Atlas vivia: povoado por fantasmagorias, desinteressado de tudo; vendo as coisas vagar, com a mesma vagarosidade que seu silêncio pedia uma presença. Uma que habitasse o desterro que sentia do convívio humano, que preenchesse a ausência de ritmos, que colorisse, mesmo que ilusioriamente, a macarca d'água que imaginava ser o mundo.


Não tenho pretensões literárias, não sou poeta, contista ou qualquer coisa que os generos literários conceituam. Escrevo quando dá vontade, o que sinto... É bom?... Não sei, há os que eu goste, há os que eu não goste, apenas escrevo.

Este post escrevi pensando em um amigo. Moço, este é para você!

miércoles, noviembre 14, 2007


Medusa - Caravaggio







Cálice
Gilberto Gil/ Caetano Veloso - 1973




Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga

Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa

Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano

Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento

Na arquibancada pra a qualquer momento

Ver emergir o monstro da lagoa

De muito gorda a porca já não anda

De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo

De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca

Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno

Nem seja a vida um fato consumado

Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno

Quero perder de vez tua cabeça

Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

lunes, noviembre 05, 2007

The Bubble!


Li, recentemente, um email que me enviaram dizendo que sou uma pessoa que cobra demais carinho das outras pessoas, que sempre estou mal e como sou feliz no orkut.


Achei graça dessa descrição sobre a minha pessoa. O que deu pano pra manga pra eu muito refletir. Parece-me que é ai que mora o perigo dos melancólicos: pensamos demais, refletimos demais.


Enfim, nessas reflexões, até levei em consideração o fato "de estar sempre mal" e tentei ser "mais alegre", como se minha esponteineidade natural, já não abafasse minhas dores e mágoas. Quem são as pessoas que, realmente, me conhecem? As pessoas com quem converso e sabem da "real" face de mim mesma?


Enfim, sendo "mais alegre" para as pessoas que não gostam de tristezas, melancolias, angústias e sensações de vazio, fui ficando mais melancólica e angustiada. Algo só de mim, para mim.


Em relação à cobrança de carinho e ser feliz no orkut. Refleti sobre isso, mas não vou falar disso agora, apenas que cometerei o orkutcídio.


Nessa sensação melancólica de que devemos parecer bem para os outros, parece-me que depende de nossa alegria, a alegria de outrem, acordei no último domingo bem chateada, até por alguns fatos ocorridos no sábado.


Calada em casa, dormindo muito e dando conta de minhas obrigações, resolvi, à tarde, ir ao cinema. Sozinha! (O que pode causar surpresas em algumas pessoas).


A sessão começou às 16h30 minutos. The Bubble, um filme iraniano que eu já estava a fim de assistir há algumas semanas.


Quando a sessão acabou eu estava completamente arrasada, tão arrasada quanto a última cena. Te Bubble devastou-me!


Vazia. Desnorteada. Com o pranto engasgado na garganta. Minhas pernas tremiam.


Como a bomba, The Bubble fez-me repensar tudo. Na verdade, o filme fez-me perceber que nada vale a pena. Desacreditei em tudo, mais uma vez.


Caralho! Fazia tempo que nada do que eu lia ou assistia causava-me uma sensação de catarse tão grande! Não quero discutir aqui as relações de direção, roteiro, filmagens e etc... Mas, sim que merda de vida é essa que temos? Para que tantos sonhos? Para que tantas discussões? Para que fugir tanto dos outros? Para que, para que...? Nada faz sentido, nada faz sentido!


Estou fazendo algo neste blog que nunca havia feito: falar em primeira pessoa e contar algo meu como eu mesma. A Face de Hérika. Não adiantaria Fada, Tereza, Gertrudes ou Atlas irem ao cinema, EU fui ao cinema, eu fui colocada em xeque, o vazio existencial produzido, foi comigo.


Nada do que eu acredito foi salvo após o filme. Na saída do cinema acendi um cigarro e fui andando desolada, com uma vontade enorme de chorar, minhas pernas trêmulas, meu coração batendo acelerado, as palavras haviam perdido o sentido, e então encontrei alguém que mexe com meu imaginário de desejo. Quando o vi percebi que não valia a pena lutar por ele, quando o vi não tinha palavra alguma para ele, a não ser um "oi" e um "caralho..., vou pra casa", mas esta frase, para mim, está carregada de outros significados (ou seriam significantes?) O que merece minha atenção? Se nada mais vale a pena.


Independente dos conflitos pessoais e/ou nacionais, para que um sacrifício? Independe de ser hetero ou homo, ser branco ou preto, ser judeu ou palestino, ser traficante ou morador da favela... somos iguais em qualquer lugar, lutamos pelas mesmas causas, pela paz, pelo amor, pela compreensão... Para quê?


Melhor seria, realmente, explodir-me.


Afinal, será que, ainda, tenho alguma chance neste mundo?


Assistam The Bubble! Ele sim merece a nossa atenção!

A Caixa Postal

*Alô. Ei, é Fada! Olha só, tô te ligando pra ti convidar pruma reunião aqui em casa...
**Te ligo mais tarde... isso é uma gravação, deixe seu recado após o bip!
Libélula! Continuo falando com a caixa postal!

miércoles, octubre 24, 2007

Munch


Um morcego. Ofuscado pela paz, o silêncio, a solidão e a melancolia do branco do retrato, abstrai-se da parte preta.





Feroz, finca seus dentes na casa, suga toda e qualquer energia.





Suícidio seguido de homicídio.





Afinal, quem é a vítima?



“sinto-me descolorida, preta e branca, busco o inacessível longe do meu lugar, sinto-me não originaria da região que habito, uma luz longínqua cega meus olhos. Existe um pote no fim do arco-íris? Relembro minha infância: tudo era mais simples, as cores mais suaves, os sons mais imagéticos, os perfumes mais coloridos. As cores a conduzem por túneis labirínticos, o azul do blues, o verde da praia, o vermelho do crime da paixão, o roxo da morte, o vazio branco, o luto de não falar com alguém que pareceu sublime.”

jueves, septiembre 20, 2007

Ser Simbólico

Quem é você?
.
.
O sorriso que te espera?
.
Os olhos que te espreitam?
.
O sulco das tuas veias?
.
.
.
O odor da vida?
.
O olor dos teus cabelos?
.
O som dos nossos gemidos?
.
.
.
O movimento de tuas ancas?
.
.
A energia?
.
O contato em tua pele?
.
Sou apenas a lembrança...
.
.
.
.
.
.
.
Do que deveria ser.

sábado, agosto 18, 2007


Após uma conversa sobre a mediocridade literária da maioria do curso de Letras da Ufma com Hugo, Cabelo de Milho, ele me deu este escrito:







- Hérika?



_ Oi!



- Quem é Hilda Hilst?



_Ãh??? Uma pedra no sapato!




lunes, agosto 06, 2007

Vontade de escrever até que tudo finde...
há tempos procuro um sorriso que
desperte em meu olhar


Intensos

Brilhos



A eternidade dos sentidos?
só sentimos quando presentes...
o verde do cinzeiro
trás-me a sensação que apagarei minha vida em segundos
a luz finda...


lacunas

escusas

preenchidas por momentos sublimes
de fantasias...

Medos subterrâneos emergindo



vazios
opacos

domingo, julio 29, 2007

Movimento



Move vento

Ventile minha dor

Mutile minha dor

Transporte seu prazer





para mim.



lunes, julio 23, 2007



é atrás das mágoas
que esconde-se a vontade de viver.

jueves, julio 12, 2007

Diz a ciência que após a explosão
Tudo surgiu: Big Bang!
Vida, humanidade, linguagem
E depois?
Quando nada disso abarca
Tua existência...
Silêncio!?...

sábado, junio 30, 2007

"O propósito das palavras é transmitir idéias.
Quando as idéias forem compreendidas, as palavras se esquecem.
Onde posso encontrar um homem que tenha esquecido as palavras?
Com esse gostaria de falar".
Chuang - Tzu

martes, junio 19, 2007

Tereeeeezaaaaaa!!!!


A pancada que atingira sua vaidade, sua integridade, sua verdade fora tão intensa quanto a visão reluzente do brasão da família e os gestos demonstrados por aquele que pegara em sua mão e preenchera os buracos de sua casa com sons e olores harmoniosos.

Quando Tereza abriu os olhos estava dentro de um grande túnel cheio de lodo, intrigas, lama, mentiras; pálida estava sua tez branca, assustados e nervosos seus belos olhos castanhos, ao tentar tocar seus cachos, não os encontrou.

O ardil penetrara em seu juízo empalidecendo sua verve. Aninhara espinhos em seu seio e ao feri-la com hediondos perjúrios, sua decência fora confrontada.

Ouvia ao longe uma nênia que a fez estremecer - "Preciso sair daqui" - Levantou-se e tateando as paredes úmidas do túnel, Tereza procurava a saída. O lugar lhe afligia e lhe causava calafrios, nem tanto pela solidão, mais pelos pérfidos sussuros, pelas gargalhadas macabras, pelos impios gritos, além daquela fúnebre canção.

Sua cabeça doía muito, sentia sua existência coagulada; quando seus olhos se acostumaram com a escuridão viu um feixe radiante de luz que ofuscou sua visão e antes que se esvaisse, completamente, dentro daquela escuridão, caminhou naquela direção.

Viu um vagalume, a alvorada chegava, seu vigor renascia.

Quando olhou para trás, viu o túnel desmoronar e fechar-se. Pegou um pedaço do brasão, era amarelo.

Respirou profundamente e em seu fastio lembrou-se de quem era e que sua pequena casa a esperava para colorir sua solidão.

TEREZA! Esse era o único nome que, realmente, deveria lembrar.

viernes, abril 27, 2007

Para hérika sofrendo

Sofro da síndrome mais que líquida das águas
O véu que me tece o corpo
É essa
finúscula
veia
lágrima
Sal dentro de mim e no oceano
Sal e um verme tão pequeno
que me rói o pano...
Minha musa extra-gênero, Jorgena Braga.

martes, abril 24, 2007



Meus ombros encolheram-se

Como se o mundo tivesse arqueado sobre eles.

Meus verdes olhos, um dia tão sedentos de alegria,

Cairam mais um pouco nas profundezas de um abismo sem fim.

E meu sorriso, sempre tão alegre transformou-se num suspiro...


domingo, abril 08, 2007

Nasci(e)mento(e)

A bagunça da casa reflete a confusão de sua mente.
Mente para si.

Sente-se uma Idiota lendo Dostoieviski no banheiro.
Solitude solitária preenchida pelo Chico´s Discos
amelie, encontros, almodovar, desencontros, laura

A carne tremula

Ela aparece
É amarela
um mundo de metáforas meninas.

Cansa-se.

Páginas envelhecidas
poetas contemporâneos.

Ariano(s) comemoram hoje
Palmers para ele(s).

Acreditas no ser humano?
Quem responderá?

jueves, abril 05, 2007



Odeio
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso

veio um golfinho do meio do mar roxo
veio sorrindo pra mim
hoje o sol veio vermelho como um rosto
vênus, diamante, jasmimveio enfim o e-mail de alguém
veio a maior cornucópia de mulheres
todas mucosas pra mimo mar se abriu pelo meio dos prazeres
dunas de ouro e marfim
foi assim, é assim, mas assim é demais também
odeio você, odeio você, odeio você
odeio
veio um garoto do arraial do cabo
belo como um serafim
forte e feliz feito um deus, feito um diabo
veio dizendo que sim
só eu, velho, sou feio e ninguém
veio e não veio quem eu desejariase dependesse de mim
são paulo em cheio nas luzes da bahia
tudo de bom e ruim
era o fim, é o fim, mas o fim é demais também
odeio você, odeio você, odeio você
odeio

Cinzas (1894) - Munch


"(...)Chove ouro baço, mas não no lá-fora... É em mim... Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e toda ela escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...

Hoje o céu é pesado como a idéia de nunca chegar a um porto...
A chuva miúda é vazia... A Hora sabe a ter sido...
Não haver qualquer cousa como leitos para as naus!... Absorto
Em se alhear de si, teu olhar é uma praga sem sentido...

Todas as minhas horas são feitas de jaspe negro,
Minhas ânsias todas talhadas num mármore que não há,
Não é alegria nem dor esta dor com que me alegro,
E a minha bondade inversa não é nem boa nem má...

Os feixas dos lictores abriram-se à beira dos caminhos...
Os pendões das vitórias medievais nem chegaram às cruzadas...
Puseram in-fólios úteis entre as pedras das barricadas...
E a erva cresceu nas vias férreas com viços daninhos... (...)

Trecho do Poema Hora Absurda - Fernando Pessoa

lunes, abril 02, 2007



Subitamente, revelo-me a complacência do ser
Mentes pertubadas,
Buscando, buscando, buscando
O Nada.

martes, marzo 27, 2007


Quando ele some
Eu tomo florais de Bach
Primavera
Que brotam flores em mim
E pedras em meus rins.
(Dylson Júnior)

lunes, marzo 19, 2007

Munch


A rua dos cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Mário Quintana

domingo, marzo 11, 2007

Os poetas já cantaram o amor de todas as formas
Só esqueceram de dizer que:
O amor não é a dois,
É a mundo!

domingo, febrero 04, 2007

Balthus


Contrariando sua apatia, naquele domingo, Teraza acordara com seu corpo tomado pelo desejo. Não queria ficar trancada dentro de casa alimentando-se de suas misérias, gostaria de encontrar-se, ressurgir de dentro dos buracos de sua pequena casa.
Encaminhou-se sozinha e deslubrante, com sua brancas omoplatas a mostra, um bar, iludindo-se que seria feliz.
A euforia era revelada em cada cena, em cada instante que seus olhos cor de âmbar fotografavam. Queria dançar, sentir, consumir-se naquela alegria. Sentia que outra mulher tomava conta do seu corpo.
O som do tambor de crioula hipnotizou-a, a dança circular das coreiras teve o supreendente poder de fazer com que parasse de racionalizar.
Neste momento não se reconhecia, outra havia tomado seu corpo.
Os flashes ficavam mais rápidos ao ritmo do tambor.
Sua tez alva e suas profundas olheiras necessitavam de toques que eriçariam seus longos cabelos castanhos-claro e luminaria toda a extensão do seu corpo.
Mais e mais e mais rápidos...
A umidade de suas entranhas diluia a imagem sisuda de Tereza.
Silencia o corpo de Tereza.
Após uma noite com um (quase) desconhecido Tereza com suas mãos magras e dedos alongados, seu retilíneo nariz que lhe dava um ar superior voltara preferir sua solidão, voltara preferir ser uma toupeira acima do chão.
Deitada em sua cama percebeu o que havia entre sua sedenta vontade de fonemas e o inviolável silêncio que pairava em seu retrato preto e branco: lembranças.
Superioridade dolorida.

viernes, enero 26, 2007

Eu gosto muito de surrupiar as charges dos Malvados

martes, enero 23, 2007

Balthus e Noite Severina

Balthus
Noite SeverinaNey Matogrosso e Pedro Luis e a Parede
Composição: (Lula Queiroga / Pedro Luís)

"Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu desejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar "

viernes, enero 19, 2007

Minha Doce Manu

Tal um koan meu amor por ela.
O infinito elevado ao infinito.
Estas sempre rodando comigo no movimento da lemincasta.

lunes, enero 15, 2007


MILO MANARA

Árias Pequenas. Para Bandolim
Hilda Hilst
Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.

sábado, enero 13, 2007


ESTRELA DO MAR

Marino Pinto e Paulo Soledade


Um pequenino grão de areia

Que era um pobre sonhador

Olhando o céu viu uma estrela

Imaginou coisas de amor

Passaram anos muitos anos

Ela no céu ele no mar

Dizem que nunca o pobrezinho

Pôde com ela encontrar

Se houve ou se não houve

Alguma coisa entre eles dois

Ninguém pode até hoje afirmar

O que é de verdade é que depois

Muito depois

Apareceu a estrela do mar.


Duas pessoas queridíssimas apresentarem-me esta música na última segunda feira, dia 8/01/2007, lá na Praia Grande no show da Tiquira Blues. Foi emocionante. Beto chorou, Cris arrepiou-se, me emocionei mais por eles do que pela música lindíssima.

Para vocês queridos Beto e Cris.

Grande beijo, vocês estão guardados.

lunes, enero 08, 2007

Lascívia




Era muito vago em sua mente a primeira vez que Fada o viu, recordou-se deste dia por palavras vindas dele mesmo. Ela não tinha certeza se havia sido daquela forma. Philotes estava presente. Confirmara. Mas, para Fada fora um dia esquecido em tantos outros.

Lembra-se da primeira vez que ouviu sua voz... um forte desejo soou em seu corpo. Teve vontade de devorá-lo. Fada o observou. Era lascívio.

O olhar de Erebos penetrava suas entranhas. Imaginava como seria ser possuída por ele: fúria lascívia de satisfação do desejo e Fada excitava-se com esses pensamentos libidinosos, enquanto o observava seu desejo aumentava, ela queria entregar-se àquele ser sombrio que causava tantas sensações luxuriosas.

Fada se retraía, algo nele a temia, ela não sabia distinguir o que era, e ao mesmo tempo que queria que ele a consumisse, ela o queria distante, que nunca a tocasse.

Não entendia, ora a face sombria de Erebos a repelia, com seu jeito de parar e ficar sozinho no meio da multidão, seu silêncio sepulcral e ora a atraía, pois curiosa ela devoraria sua mente, degustaria suas idéias, consumiriam-se em seus olhares. Ele a temia.

A antítese dos desejos os distanciava, não era tempo de aproximações, era muito escuro ao lado de Erebos e Fada precisava de luz, de certezas e ele, ainda, não permitia que elas resplandecessem em todo seu corpo, a não ser quando entregava-se a lânguidos desejos noturnos ou quando as notas musicais o invadiam.

Mas, em certas noites de lua cheia em que as incertezas desaparecem e o rosto de Erebos ilumina-se, sem pensar em seus temores, se entregam, se consomem, se devoram, se permitem, gozam e acabam por descobrir que ela odeia bolos e ele adora biscoitos. Ele é a própria utopia, ela a certeza (de que nada é como gostaríamos). Eram livres. Combinavam nisso... e no atrito da cama.

Eles se temiam.